Multa de bafômetro: qual o valor, penalidades e o que fazer

Consórcio | 10/03/2026

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Multa de bafômetro: qual o valor, penalidades e o que fazer

A multa bafômetro está entre as penalidades mais severas do trânsito brasileiro, e entender como ela funciona é essencial para evitar prejuízos financeiros, suspensão da CNH e até desdobramentos criminais. Mais do que saber o valor, é importante compreender quando a autuação acontece, o que muda em caso de recusa ao teste e quais são os próximos passos.

No Brasil, a fiscalização da Lei Seca foi endurecida ao longo dos anos. Hoje, a legislação prevê punição tanto para quem dirige sob influência de álcool quanto para quem se recusa a fazer o teste do etilômetro, conhecido popularmente como bafômetro.

O que é a multa de bafômetro e quando ela se aplica?

A multa de bafômetro é a penalidade aplicada ao condutor flagrado dirigindo sob influência de álcool ou outra substância psicoativa que cause dependência. Essa infração está prevista no artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro e é classificada como gravíssima com fator multiplicador, o que eleva bastante o valor final.

Pela Resolução 432 do Contran, a infração administrativa pode ser caracterizada por exame de sangue, por teste de etilômetro com medição igual ou superior a 0,05 mg/L de álcool por litro de ar alveolar expirado, ou ainda por sinais de alteração da capacidade psicomotora registrados pela autoridade de trânsito.

Isso significa que a autuação não depende apenas de “assoprar o aparelho”. Sinais observados pelo agente, devidamente registrados no auto de infração ou em termo específico, também podem embasar a penalidade administrativa.

Multa da lei seca e recusa ao teste: existe diferença?

Sim, existe diferença no enquadramento legal, embora as consequências práticas sejam muito parecidas. Quem dirige sob influência de álcool é enquadrado no artigo 165 do CTB, enquanto quem se recusa a fazer o teste, exame clínico ou outro procedimento de verificação é enquadrado no artigo 165-A.

Na prática, a recusa ao bafômetro também gera multa e suspensão do direito de dirigir, mesmo sem a confirmação do teor alcoólico pelo aparelho. O STF já decidiu que essa punição administrativa é constitucional, entendendo que ela não viola o direito de não produzir prova contra si mesmo.

Em outras palavras, recusar o teste não elimina a penalidade. A legislação brasileira adotou uma lógica de tolerância zero para reforçar a prevenção e a segurança no trânsito.

Multa de bafômetro valor atualizado

O valor atual da multa de bafômetro é de R$ 2.934,70. Esse montante vale tanto para quem é autuado por dirigir sob influência de álcool quanto para quem se recusa a realizar o teste.

Se houver reincidência no período de 12 meses, a multa é aplicada em dobro. Nesse cenário, o valor sobe para R$ 5.869,40, o que torna a infração ainda mais pesada financeiramente.

Esse valor elevado existe porque a infração é gravíssima e recebe multiplicação por dez. Não se trata de uma multa comum, mas de uma das mais rígidas do CTB.

Penalidades além da multa

O impacto não para no bolso. Além da multa, o condutor responde a processo de suspensão do direito de dirigir por 12 meses, tanto nos casos de direção sob efeito de álcool quanto nos de recusa ao bafômetro.

Também podem ser adotadas medidas administrativas, como recolhimento do documento de habilitação e retenção do veículo até a apresentação de outro condutor habilitado e apto a seguir a viagem.

Depois de cumprir a suspensão, o motorista precisa passar por curso de reciclagem e exame teórico para restabelecer o direito de dirigir. Esse ponto é importante, porque pagar a multa não encerra automaticamente todas as consequências da autuação.

O que fazer após receber multa por bebida alcoólica?

O primeiro passo é ler com atenção a notificação e verificar prazo, enquadramento legal, dados do veículo, identificação do agente e informações do auto de infração. Erros formais ou falhas no procedimento podem ser relevantes na análise da defesa.

Depois disso, o condutor pode apresentar defesa da autuação, que é a primeira fase de contestação. Se a penalidade for mantida, ainda cabe recurso à JARI e, posteriormente, recurso em segunda instância ao CETRAN ou órgão equivalente.

Também é importante lembrar que, em muitos casos, existe um processo próprio de suspensão da CNH, com defesa e recursos específicos. Ou seja, a discussão da multa e a discussão da suspensão podem caminhar em paralelo.

Outro cuidado essencial é respeitar todos os prazos. Perder a data de apresentação da defesa pode limitar bastante as chances de contestação no âmbito administrativo.

Quando o caso pode virar crime de trânsito?

Nem toda autuação por álcool ao volante configura crime. Na esfera administrativa, a infração do artigo 165 pode ocorrer com teste de etilômetro a partir de 0,05 mg/L.

Já o crime de trânsito previsto no artigo 306 do CTB é caracterizado, entre outras hipóteses, quando o teste aponta medição igual ou superior a 0,34 mg/L de álcool por litro de ar alveolar expirado. Nesses casos, além da multa e da suspensão da CNH, o motorista pode ser encaminhado à autoridade policial.

Se houver condenação, a pena pode variar de seis meses a três anos de detenção, além das demais sanções previstas. Por isso, a combinação entre álcool e direção não representa apenas risco de multa, mas também de responsabilização criminal.

Como evitar problemas em fiscalizações da Lei Seca?

A forma mais segura de evitar esse tipo de situação é simples: não dirigir após consumir bebida alcoólica. Mesmo pequenas quantidades podem gerar autuação administrativa, já que a legislação brasileira trabalha com rigor elevado nesse tema.

Em saídas, festas, confraternizações ou viagens, vale planejar antes. Aplicativos de transporte, táxi, transporte coletivo e motorista da vez costumam custar muito menos do que uma multa, um processo de suspensão ou um acidente. Essa é uma decisão que protege o bolso, a habilitação e, principalmente, vidas.

A Lei Seca exige atenção total

A multa bafômetro tem valor alto, gera suspensão da CNH e pode trazer consequências ainda mais sérias quando há reincidência ou enquadramento criminal. Por isso, o melhor caminho sempre será a prevenção, somada ao entendimento claro dos seus direitos e deveres caso uma autuação aconteça.